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Alimento saudável, ecológico, local e orgânico: conheça o projeto Cestas Solidárias

A produção de alimentos, dentro do modelo produtivista dominante, tem graves impactos negativos sobre os ecossistemas. E também sobre a saúde de quem os produz e de quem os consome. Esses alimentos, afinal, estão frequentemente contaminados por agrotóxicos e adubos químicos – substâncias que há muito tempo preocupam a comunidade científica e a sociedade em geral.

Contaminação das águas, degradação dos solos, diminuição da biodiversidade: são alguns dos riscos ambientais normalmente associados aos insumos agrícolas utilizados na produção convencional de alimentos. Além disso, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) considera evidente a relação entre o consumo de agrotóxicos e a ocorrência de quadros de carcinogênese na população.

Só no Paraná, acontecem em média mais de 1.300 casos anuais de intoxicação devido ao contato com esses venenos. Aliás, o consumo anual de agrotóxicos em nosso estado ultrapassa nove litros por habitante. Segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (ADAPAR), 15,3% dos alimentos analisados nas Centrais de Abastecimento (CEASA) contêm resíduos de agrotóxicos em quantidades acima dos limites permitidos por lei.

A boa notícia é que existe, sim, um outro modelo possível. Podemos, de fato, produzir alimentos livres de quaisquer substâncias tóxicas ou sintéticas. É o que acontece no caso da produção em bases agroecológicas, como é a produção orgânica.

Além da ausência de agrotóxicos, os alimentos orgânicos ou agroecológicos trazem muitas outras vantagens. Eis algumas delas: o respeito às práticas de conservação ambiental; o não uso de sementes transgênicas; o bem-estar animal; e a justiça nas relações de trabalho ao longo da cadeia produtiva.

A agroecologia é um desafio para o produtor rural. Mas é também um caminho deveras promissor para manter o equilíbrio dos ecossistemas, a saúde e a qualidade de vida dos agricultores e dos consumidores.




Uma relação solidária entre campo e cidade

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Ao longo das últimas décadas, o Brasil vem passando por um intenso processo de êxodo rural. Numerosas famílias do campo migram para as cidades em busca de melhores condições de vida e trabalho. Mas esse fenômeno traz, geralmente, consequências negativas para toda a sociedade. Motivo: o esvaziamento do meio rural provoca uma deterioração na disponibilidade de serviços e infraestrutura no campo – boas estradas, hospitais, redes de saneamento e escolas são alguns exemplos.

O êxodo rural também reduz a disponibilidade de mão de obra agrícola no país. Esse cenário favorece, portanto, um modelo agropecuário cada vez mais excludente – pautado na concentração fundiária, na mecanização e no uso intensivo de agrotóxicos e demais insumos sintéticos. Enquanto isso, uma das consequências diretas dessa dinâmica de migração é o "inchaço" populacional em nossas cidades. E, assim, agravam-se os casos de insegurança e desemprego. Entra em risco, também, a qualidade de nossos recursos hídricos e alimentares.

Por essas razões, a agricultura familiar é o modelo produtivo mais eficiente na construção de uma sociedade mais equilibrada. E quando a agricultura familiar é praticada dentro do sistema agroecológico, ela garante a soberania alimentar dos territórios que compõem nosso país. Portanto, é fundamental dignificar o trabalho do agricultor familiar agroecológico e melhorar sua qualidade de vida para que esse modelo virtuoso possa se perpetuar.

É comum percebermos que, muitas vezes, alimentos orgânicos são mais caros que alimentos convencionais. Essa situação acaba dificultando o acesso à alimentação saudável para grande parte da população. O que poucas pessoas sabem é que, para valorizarmos o trabalho desses agricultores que produzem alimentos orgânicos, não precisamos necessariamente pagar mais caro por isso. Podemos, na verdade, otimizar suas condições de comercialização. E existe uma maneira pela qual é possível, sim, adquirir alimentos agroecológicos a preços bastante justos e, em muitos casos, até mais baratos do que alimentos convencionais. Quer saber como?


O projeto Cestas Solidárias

. Trata-se de uma parceria. A ideia é fazer uma cooperação direta entre um grupo de consumidores e um grupo ou família de agricultores agroecológicos da região – tal modelo, na verdade, é inspirado no que já acontece há décadas na França (AMAP) e também no Japão (Teikei, 提携), onde a interação direta entre consumidores e agricultores tem sido muito vantajosa para ambos. Na prática, o papel do consumidor ou consumidora é adquirir semanalmente uma cesta de verduras e frutas orgânicas. Enquanto isso, o papel do agricultor ou agricultora é entregar esses produtos em local e horário previamente definidos coletivamente.

As cestas, que contêm um conjunto de itens diversificados da estação, são pagas antecipadamente todos os meses. Assim, os agricultores conseguem melhor eficiência no planejamento da produção. Para não gerar lixo, são usadas sacolas retornáveis confeccionadas em material reciclado. Toda semana, o consumidor devolve a sacola vazia para o agricultor; que, por sua vez, entregará uma nova sacola cheia ao consumidor.

O projeto Cestas Solidárias é uma ótima estratégia para garantirmos uma alimentação fresca, saudável e diversificada – a um preço acessível e entregue em local conveniente. Além disso, essa relação entre consumidores e agricultores possibilita muita trocas e aprendizados: quando começa a época do tomate? Como cozinhar o alho-poró? O que é couve-rábano? Para o agricultor, por outro lado, é a possibilidade de planejar melhor sua produção e sua comercialização, com a garantia de que alimentos não serão desperdiçados. É também um importante incentivo para a diversificação da produção, já que, quanto maior a diversidade das cestas, mais satisfeitos estarão os consumidores.

Acreditamos que essa parceria pode ser o primeiro passo para a construção de uma relação mais justa entre campo e cidade. A maioria das pessoas considera como sucesso social a carreira de quem cura a doença – o médico. Mas poucos valorizam, infelizmente, o trabalho de quem produz o nosso alimento saudável de cada dia – o agricultor.
  


Como participar do projeto?


Agricultor:
Entre em contato com a cooperativa da sua região ou com o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) para saber quais são as demandas mais próximas de sua propriedade.

Consumidor: Confira, neste mapa interativo, se já existe algum grupo de Cestas Solidárias próximo a sua casa ou local de trabalho. Basta clicar em sua região e selecionar o filtro 'Grupo de Consumo Responsável'. Caso não encontre, reúna seus amigos, colegas, vizinhos ou familiares para formarmos um novo grupo – no seu bairro, no seu condomínio, na sua academia, igreja, local de trabalho… Em geral, um grupo pode ser iniciado com a adesão de aproximadamente 15 membros. Inicie seu grupo e entre em contato com o CPRA. Apenas três passos são necessários:

1. Após reunirmos um grupo com 15 ou mais membros, realizaremos um primeiro encontro de sensibilização, mediado pelo CPRA, sobre agroecologia e consumo consciente.

2. A partir da primeira reunião de introdução e sensibilização ao projeto, marca-se um segundo encontro. Desta vez, ele contará com a participação dos agricultores interessados, contatados diretamente pelo CPRA. Assim, em parceria, definem-se as regras básicas do novo grupo – como composição das cestas, valores, dia, horário e local de entrega.

3. Realização das entregas! Periodicamente, é interessante conversar sobre as possíveis melhorias a fazer no funcionamento do grupo, para que essa parceria sempre atenda a todos da maneira mais solidária possível. Nos primeiros três meses, o grupo é geralmente acompanhado pela equipe do CPRA – para a mediação das primeiras reuniões e para o esclarecimento de dúvidas que possam surgir ao longo do processo, tanto por parte dos consumidores quanto dos agricultores. A ideia é que, então, cada grupo torne-se independente.



Contato

Centro Paranaense de Referência em Agroecologia
Manuel Delafoulhouze | manuel.delafoulhouze@cpra.pr.gov.br | (41) 3544 8100



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