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01/12/2016

Diretor do CPRA participa de homenagem a Ana Primavesi, uma das figuras mais emblemáticas das ciências agrárias

Ela nasceu no dia 3 de outubro de 1920, na Áustria. Formou-se em agronomia pela Universidade Agrícola de Viena e não tardaria para que seu trabalho fosse conhecido no mundo todo. Ana Primavesi é, hoje, um dos nomes mais consagrados da agroecologia – em especial, na área de manejo e conservação de solos. Por seu importante legado, ela foi homenageada na semana passada durante o encerramento do II Paraná Agroecológico, em Maringá (PR). O evento aconteceu em paralelo ao II Congresso Paranaense de Agroecologia e ao III Seminário Brasil-França de Agroecologia.

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“É uma grande honra poder homenagear alguém que nos ensinou tanto”, comentou João Carlos Zandoná, diretor-presidente do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). “A agroecologia é, também, uma prática que faz de nós seres humanos melhores, e ser melhor com o próximo é uma das grandes mensagens que Ana Primavesi nos transmite em sua obra.”

Segundo Júlio César Damasceno, vice-reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Primavesi fez escola em muitos lugares no Brasil e no mundo. “Ela abriu caminhos em uma área em que é muito difícil conseguir espaço”, disse.

“A obra de Ana Primavesi nos ensina, sobretudo, a fazer uma agricultura mais inteligente”, lembrou o agrônomo José Ozinaldo Alves de Sena, da UEM. “Em vez de duelar ou medir forças com a natureza, precisamos coordenar nossas práticas em sintonia com os processos cíclicos do mundo natural.”

Ana Primavesi lecionou, por muitos, anos na Universidade Federal de Santa Maria (RS). Entre seus livros, talvez o mais conhecido seja Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais. Trata-se de uma obra de referência no campo das ciências agrárias. Seu extenso legado também inclui a fundação da Associação da Agricultura Orgânica (AAO), uma das primeiras entidades a reunir e organizar produtores orgânicos no país.

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Ela certa vez escreveu: “A agricultura convencional é a arte de explorar solos mortos. (…) As pessoas que comem agora estas colheitas, comem plantas doentes e também se tornam doentes. Uma planta deficiente somente pode gerar um homem deficiente e deficiência sempre significa doença. Por isso precisa-se a cada ano mais leitos hospitalares. Doenças antes nunca vistas aparecem, especialmente de vírus, como também nas plantas as pragas e doenças aumentam ano por ano. Em 1970 existiam no Brasil 193 pragas. Atualmente ultrapassa 650. De onde vieram? Bactérias, fungos, vírus e insetos que antes eram pacíficos e até benéficos agora se tornam parasitas. Por que? Porque as plantas são doentes nos solos doentes. E o solo é doente quando perde sua vida, sua porosidade, seu equilíbrio em nutrientes”.

A trajetória de Primavesi rendeu uma biografia – publicada este ano pela geógrafa Virgínia Mendonça Knabben. O livro, intitulado Ana Maria Primavesi: histórias de vida e agroecologia, foi lançado pela editora Expressão Popular.


Henrique Kugler


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