Livro de visitas

02/06/2017

O potencial da agroecologia: representantes da FAEP e SENAR-PR visitam o CPRA

Na última quarta-feira (31/05/2017), o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) recebeu a visita de Humberto Malucelli Neto, superintendente do Serviço de Aprendizagem Rural (SENAR-PR), e de Ronei Volpi, assessor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP).

“Essa visita me surpreendeu muito positivamente”, comenta Volpi. “Ainda que com uma equipe reduzida, e com uma série de limitações em infraestrutura, o CPRA tem prestado grandes contribuições para o desenvolvimento socioeconômico do estado”, observa ele.

Responsáveis por diversas iniciativas relacionadas às políticas públicas no setor agropecuário, os visitantes estavam interessados em aprender mais sobre os conceitos e práticas da agroecologia. A produção de alimentos orgânicos, afinal, é um mercado deveras promissor. Esse segmento movimenta, anualmente, nada menos que 80 bilhões de dólares no mundo todo.

Só no Brasil, o consumo de orgânicos cresce mais de 30% ao ano, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Além disso, as práticas agroecológicas vêm sendo apontadas como de extrema relevância na busca pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, promovidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Maior qualidade de vida no campo e na cidade; mais saúde para trabalhadores rurais; alimentação saudável para todos; e preservação dos recursos naturais são alguns dos itens cada vez mais relevantes na agenda internacional.

É por isso que a agroecologia, muitas vezes, é entendida não só como um conjunto de práticas agropecuárias – mas também como uma demanda social e ambiental. E, mais do que isso, a agroecologia já é também uma ciência consolidada. São cada vez mais presentes, em países desenvolvidos, linhas de pesquisa acadêmica nas áreas de produção orgânica e agroecológica. Um exemplo é o Instituto de Pesquisa Agronômica da França (INRA), que já faz da agroecologia um de seus principais eixos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Outro exemplo marcante é a Dinamarca, país que, até 2025, pretende converter toda a sua produção agropecuária para o sistema orgânico. Durante a visita ao CPRA, o engenheiro agrônomo Márcio Miranda, diretor-adjunto da instituição, explicou aos visitantes alguns dos conceitos que embasam a agroecologia enquanto conhecimento científico – mencionando, principalmente, os trabalhos do professor Stephen Gliessman, da Universidade da Califórnia. “Em síntese, a agroecologia estuda a aplicação de princípios ecológicos para o desenho e manejo de agroecossistemas sustentáveis de modo a gerar o menor impacto ambiental possível”, explica Miranda.

O Paraná, aliás, tem tudo para seguir um caminho virtuoso quando o assunto é produção de alimentos orgânicos ou agroecológicos. “Já somos o estado com o maior número de propriedades orgânicas certificadas em todo o país”, lembra o diretor-presidente do CPRA, o engenheiro agrônomo João Carlos Zandoná. Temos cerca de 10 mil produtores que se dedicam à produção orgânica, dos quais mais de 2.100 já são certificados.

“Vemos que o CPRA está na busca por respostas muito importantes em uma prática que é bastante desafiadora”, comenta Malucelli. Ele acredita que a agroecologia não pode ficar restrita apenas a pequenos grupos. “Essa abordagem precisa ser preponderante no território que ocupamos e, para isso, precisamos avançar com políticas públicas adequadas para atender às demandas da sociedade.”

Malucelli também acredita que o consumidor deve exercer um papel fundamental nesse diálogo. “Na medida em que a demanda pelo consumo de orgânicos aumenta, também há de aumentar o interesse de quem produz”, explica. “Mas não devemos pensar no avanço da agroecologia apenas como um fenômeno comercial, pois esse crescimento nos faz ponderar sobre elementos cruciais vinculados à sustentabilidade ambiental; são elementos que transcendem os ganhos financeiros oriundos da expansão desse mercado”, afirma o superintendente do SENAR-PR.

Outro tema de destaque durante a visita foi a produção de leite orgânico. “Aqui em nossa Fazenda Agroecológica, produzimos cerca de 280 litros por dia”, diz o veterinário Evandro Richter, responsável pela área de Produção e Bem-estar Animal do CPRA. “Fiquei bastante impressionado com o rebanho, com a produtividade e com os índices de qualidade do leite orgânico do CPRA”, elogia Volpi, que tem por especialidade a produção e comercialização de laticínios. “Chama a atenção o fato de que esse padrão de qualidade deriva de um manejo agroecológico que elimina completamente o uso de antibióticos, antiparasitários e insumos convencionais, e isso me surpreendeu muito.”

Volpi acredita que a produção de leite orgânico tem um grande potencial em termos de segurança alimentar, viabilidade econômica e responsabilidade social.

“O CPRA precisa de um apoio maior da sociedade paranaense”, opina Volpi. “Isso é necessário”, segundo ele, “para que possamos continuar a desenvolver alternativas econômicas com a produção orgânica ou agroecológica, principalmente para os pequenos agricultores”.

Henrique Kugler



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