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12/02/2018

Agroecologia e alimentação saudável integram programação da 35ª Oficina de Música de Curitiba

A 35ª Oficina de Música de Curitiba resolveu inovar na programação. Desta vez, o evento traz não apenas cursos e apresentações sobre a arte dos sons – mas também palestras e vivências e sobre agroecologia, jardinagem, alimentação saudável  e assuntos ambientais diversos. Trata-se da Oficina Verde, um encontro paralelo que vem acontecendo ao longo da semana no agradável jardim central da Capela Santa Maria, no centro de Curitiba (PR). Lá, artistas e visitantes encontram até mesmo uma barraca de alimentos orgânicos.

Na última quinta-feira (01/01/2018), por exemplo, a chef Gabriela Vilar ensinou aos participantes como preparar uma saborosa salada de feijões, pólen e mel – com ingredientes típicos de nossa região. Além de valorizar alimentos agroecológicos, a chef Vilar é conhecida por seu engajamento na busca por uma cultura alimentar mais equilibrada do ponto de vista nutricional e ecológico.

E, ao final da tarde, o engenheiro agrônomo Felipe de Jesus falou sobre a importância das abelhas nativas – tema que ganha cada vez mais espaço na agenda ambiental contemporânea. “Temos que abrir os olhos para esse verdadeiro tesouro que existe em nossa região”, diz Felipe, referindo-se à diversidade de abelhas que habitam o continente latino-americano.

É comum valorizarmos esses insetos em função do delicioso mel que produzem. Entretanto, o valor das abelhas vai muito além da culinária – afinal, elas são as principais responsáveis pela polinização de inúmeras espécies vegetais das quais depende a alimentação humana.

O dia encerrou com uma palestra sobre plantas alimentícias não convencionais – as famosas PANCs. Capuchinha, ora-pró-nóbis, peixinho, beldroega, serralha… Já ouvi falar desses nomes? São plantas de altíssimo valor nutricional e, no entanto, pouco conhecidas pelos consumidores. Em muitos casos, os próprios agricultores as ignoram e as qualificam como “pragas”, “daninhas” ou simplesmente “mato”. As PANCs, entretanto, oferecem novos horizontes para as práticas agronômicas. Além disso, podem trazer agradáveis surpresas mesmo aos paladares mais conservadores.

“Buscamos promover uma ressignificação da cultura alimentar a partir da identificação, resgate e estudo de plantas nativas tradicionalmente usadas como alimento ou medicina pelos povos ancestrais”, diz o engenheiro agrônomo Marcelo Silverio em sua palestra. Ele é um dos responsáveis pelo sítio Ilha do Sapo, em Piraquara (PR).

Assim como muitos estudiosos, Marcelo preocupa-se com a excessiva homogeneização de nossa cultura alimentar. As dietas contemporâneas são pobres em termos de diversidade: pouco mais de duas dezenas de frutas; dez ou quinze tipos de folhas; poucas variedades de grãos… “A ideia de quem trabalha com PANCs e com agroecologia é ir no sentido inverso, isto é, aumentar a biodiversidade de nossos agroecossistemas e, portanto, possibilitar uma alimentação mais variada e mais saudável.”

“O mundo não é uma prateleira de supermercado”, ensina Marcelo. “O padrão da natureza é a diversidade.”

Alimentos que consumimos regularmente também estão sujeitos ao processo de homogeneização biológica que caracteriza a alimentação das sociedades pós-industriais. Um exemplo é a limitada variedade de feijões que consumimos no dia a dia. Os brasileiros acostumaram-se com apenas dois tipos: o feijão preto e o feijão branco. No entanto, existem mais de 2 mil variedades desse grão. “Só aqui, para esta oficina, eu trago para vocês 16 variedades diferentes que cultivamos em nosso sítio”, diz Marcelo, diante de uma mesa repleta de feijões das mais diferentes formas e cores.

Durante o encontro, Marcelo também falou da físalis – ou physalis. Essa planta, até pouco tempo atrás, era vista pelos agricultores como uma espécie daninha. Porém, trata-se de uma fruta muito saborosa! Estudos indicam que uma physalis tem mais vitamina C do que três laranjas. “Essa frutinha cresce naturalmente em terras brasileiras, mas, ironicamente, costumamos importá-las da Colômbia”, lamenta o agrônomo.

“O caráter abrangente e integral da agroecologia vai além da mera produção de bens e serviços”, comenta o engenheiro agrônomo Márcio Miranda, diretor-adjunto do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA). “Foi bom perceber que a comissão organizadora da 35ª Oficina de Música de Curitiba entendeu isso e inseriu essa temática em sua programação.”

Henrique Kugler



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