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28/02/2018

Novos horizontes para a agricultura orgânica no Paraná

Dados precisos e estatísticas confiáveis. Disso depende, em grande medida, a proposição de políticas públicas eficazes para incentivar o desenvolvimento da agricultura orgânica no Brasil e no mundo. Mas, em praticamente todos os estados de nosso país, ainda são falhas as rotinas de levantamento de informações sobre os sistemas agroecológicos de produção.

Por isso, o projeto Produção em Base Agroecológica na Região Metropolitana de Curitiba (PBARMC) tem papel importante a desempenhar. A iniciativa é coordenada pelo Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) desde novembro de 2016, com o apoio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Uma equipe de bolsistas e técnicos tem acompanhado 22 propriedades orgânicas ao redor da capital paranaense, gerando estatísticas, dados e informações que serão de grande valia para o entendimento das oportunidades e desafios que a agricultura de base ecológica enfrenta na região.

O projeto encerrou sua primeira fase em janeiro de 2018. E a boa notícia é que ele acaba de ser renovado – a equipe continuará os trabalhos por mais 12 meses. Na primeira etapa, foram analisadas as condições produtivas de 22 propriedades na região. Agora, os bolsistas e técnicos deverão propor melhorias para que os agricultores integrantes do projeto atinjam os melhores resultados possíveis em suas práticas agronômicas.

“Além disso, ampliaremos o número de propriedades rurais que acompanhamos: agora serão 36 unidades”, prevê o engenheiro agrônomo Márcio Miranda, diretor-adjunto do CPRA e coordenador do projeto.

Nova etapa

Partilhar novas tecnologias com produtores orgânicos também está na pauta da segunda fase do PBARMC. Em Campo Largo (PR), por exemplo, numa propriedade liderada por um grupo de agricultoras, a equipe do CPRA já começou a fazer um experimento com duas variedades de batata. A ideia é comparar o desempenho da batata ágata, usualmente plantada na região, com o da batata IPR-Cristina, desenvolvida no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Resultados anteriores já demonstraram que a IPR-Cristina é mais resistente à requeima de Phythophthora, principal doença do cultivo. A ideia é compartilhar esses resultados com as agricultoras e torná-las protagonistas nesse processo de transferência tecnológica. Assim, o PBARMC presta importante serviço à sociedade ao aproximar o agricultor agroecológico dos conhecimentos desenvolvidos na academia e nos institutos de pesquisa – e vice-versa.

Outra demanda que o projeto identificou foi o crescente interesse dos agricultores em produzir ovos orgânicos. Como resultado, foi criado um grupo de estudos sobre o assunto. Já são quase 40 integrantes – em sua maioria agricultores já atuantes no ramo ou desejosos de iniciar a produção de ovos orgânicos. Eles se reúnem mensalmente no auditório do CPRA para, com o auxílio de técnicos e bolsistas, discutir temas relacionados à avicultura colonial de postura.

A elaboração de um mapa digital interativo para divulgar resultados e espacializar as propriedades acompanhadas também está na pauta da segunda fase do projeto liderado pelo CPRA. Até o fim do ano, cada propriedade terá uma página personalizada na internet – com o intuito de compartilhar as informações mais relevantes acerca de cada uma delas. Objetivo final: construir uma base de dados que dará aos gestores e pesquisadores subsídios para o aprimoramento das políticas públicas em agroecologia no Paraná e, possivelmente, em todo o Brasil. E, é claro, o mapa digital também servirá como estratégia de comunicação para que consumidores tenham cada vez mais acesso à realidade vivenciada pelos agricultores que cultivam os alimentos saudáveis que chegam a nossas mesas.

Agenda global

Com recursos da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), por meio do Fundo Paraná, o PBARMC já é entendido como principal iniciativa dedicada à promoção da agricultura de base ecológica no estado.

A agroecologia, vale lembrar, é tema central na agenda da Organização das Nações Unidas (ONU), como destaca o último Report of the Special Rapporteur on the right to food, publicado em janeiro de 2017.

Além disso, a produção agroecológica é um conjunto de práticas cuja transversalidade está intrinsicamente conectada aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Dos 17 objetivos listados como prioritários pela ONU, pelo menos 12 deles estão diretamente ligados às práticas agroecológicas.

É por isso que o mundo todo – em especial a União Europeia – já avança na direção de uma agricultura cada vez menos dependente de agrotóxicos e insumos químicos sintéticos. A Dinamarca, por exemplo, almeja dobrar sua produção orgânica ate 2020!

A agricultura convencional, por suas contradições, tem sido cada vez mais vulnerável a severas críticas em nível planetário – pelos elevados danos socioambientais oriundos da contaminação química e da concentração de terras e capital. Enquanto isso, gestores públicos, ativistas e acadêmicos vêem na agroecologia, mais do que nunca, uma grande aposta para um mundo mais saudável, mais justo e mais inclusivo.

Henrique Kugler



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