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11/05/2018

"Quem nos alimenta é o agricultor familiar e é ele que devemos honrar"

São temas que podem até parecer desconexos: alimentação saudável; estrutura fundiária; e história do Brasil. Mas tais assuntos são, na verdade, indissociáveis para quem almeja compreender a conjuntura da agricultura brasileira e suas interfaces com a produção e o consumo. Por isso, na última segunda-feira (07/05/2018) o engenheiro agrônomo Lucas Eduardo Caetano Felippe, bolsista do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), foi convidado a fazer uma palestra para a Liga Acadêmica de Nutrição Social (Lanutris), na Pontifícia Universidade Católica (PUCPR), em Curitiba (PR).

Hoje, nutricionistas estão cada vez mais interessados em desbravar o universo da agricultura familiar, da agroecologia e das questões socioambientais que condicionam as cadeias de produção e consumo de alimentos. Afinal, esses profissionais preocupam-se muito com nossa saúde. E a estrutura do agronegócio – isto é, o modelo agropecuário baseado na concentração de terra e riqueza, no uso de vastas áreas para o plantio de monoculturas e na utilização de insumos químicos sintéticos altamente prejudiciais aos ecossistemas e aos seres humanos – é cada vez mais questionada no mundo todo. Neste início de século, são as agriculturas alternativas que emergem como promissoras antíteses e soluções para um mundo cada vez mais diverso, plural e equilibrado do ponto de vista social, econômico e ambiental.

A palestra de Lucas resgatou elementos por vezes esquecidos no dia a dia dos engenheiros agrônomos e gestores públicos. Para isso, ele citou alguns dados históricos mencionados no artigo Reflexões sobre o conceito de agricultura familiar, da pesquisadora Iara Altafin.

“Não podemos ser simplistas quando falamos em agricultura familiar e alimentação orgânica, pois a agricultura familiar é complexa e culturalmente rica”, comenta Lucas. “Por isso, fiz uma visita ao passado e resgatei alguns aspectos que nos auxiliam a entender o atual sistema de produção e distribuição de alimentos em nosso país.” Lucas enfatizou um dado já conhecido de muitos brasileiros: não são as grandes produções agrícolas que trazem alimentos a nossas mesas. Afinal, o grande foco do agronegócio é a exportação. “Quem nos alimenta é o agricultor familiar, e é ele que devemos honrar.”

No Brasil, a agricultura familiar é o principal meio em que a agroecologia pode florescer com exuberância e eficiência. Hoje, a produção orgânica ou agroecológica é uma grande aposta para muitos cientistas, agricultores e gestores públicos. Esse conjunto de saberes e práticas, se entendido de modo sistêmico, oferece novos horizontes para um desenvolvimento rural harmonizado com as grandes tendências demográficas e comportamentais do mundo contemporâneo. É o que enfatizam os autores do artigo Strategies for feeding the world more sustainably with organic agriculture, publicado no final de 2017 na revista Nature Communications.

Henrique Kugler



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