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21/11/2018

Seminário Paraná Mais Orgânico é um dos destaques do Paraná Agroecológico

por Marina Creplive


O Paraná Mais Orgânico (P+O) foi um dos protagonistas do 3º Paraná Agroecológico, que aconteceu entre os dias 5 e 9 de novembro em Foz do Iguaçu. O programa, que tem no Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) um dos seus núcleos, contou com um seminário apresentado na quarta-feira (07), que abrangia na esfera da certificação e seus desdobramentos.

Extensão Rural

O encontro teve início com a recepção do comitê gestor do projeto, composto por Ednaldo Michellon e Rogério B. Macedo. Representando a cooperativa Biolabore, Edvan Nilson de Almeida deu início às discussões. O engenheiro agrônomo ministrou sobre a extensão rural agroecológica, apontando o papel e os desafios da área.

Dentre os tópicos apresentados, o palestrante apresentou como funções da extensão a melhoria de condições econômicas e sociais da população rural; a aplicação dos conhecimentos da ciência e pesquisa aos problemas da agricultura familiar; o compartilhamento de conhecimentos e habilidades com o povo rural; o estímulo de mudanças ambientais, econômicas e sociais; e o aperfeiçoamento do uso de recursos naturais disponíveis no local, de maneira sustentável.

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Edivan Nilson de Almeida - Biolabore (à esquerda); Maria Teresinha Ritzman - FUNDEPAR (à direita)

Programa Nacional de Alimentação Escolar

Quem procedeu os debates foi a assessora de projetos especiais do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (FUNDEPAR), Maria Teresinha Ritzman. A diretora técnica explanou sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e as mudanças na lei da merenda escolar, que tem como alicerce a integração entre educação; saúde; meio ambiente; e agricultura.

Ritzman ainda apresentou alguns dados que embasam o programa, como, por exemplo, a liderança do Paraná em mortes por intoxicação no Brasil; e o uso elevado de agrotóxicos nas propriedades do país – 78% utilizam os defensivos. O PNAE surge como alternativa na alimentação das crianças e jovens do estado, alcançando, em 2017, 84 municípios e 806 escolas. Aos agricultores presentes, Maria Teresinha também apresentou detalhes sobre as condições e formas de participar das entregas do programa, bem como os itens que são requeridos nas entregas. Para mais informações sobre o PNAE, acesse: www.fnde.gov.br/programas/pnae.                                                                                                                                                                                                                          

Processamento de alimentos

O seminário também contou com a participação do técnico da Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) de Jardim Alegre, Carlos Eduardo dos Santos. O médico veterinário apresentou normas e padrões legais para o processamento de alimentos na agricultura familiar. Com uma temática bastante delicada e importante para os agricultores e técnicos, Santos optou por um tom mais dinâmico, exibindo casos e questionamento os presentes sobre as regras que regem o sistema atualmente.

Com a participação do público, a evolução na comercialização foi exposta, incentivando os produtores a investir no segmento. Além disso, foi destaca a importância de parceria na área: órgãos fiscalizadores e técnicos de entidades da região são essências para auxiliar durante o processo de certificação.


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Carlos Eduardo dos Santos - EMATER (à esquerda); Karina David - Rede Ecovida e AOPA (à direita)

Certificação Participativa

A coordenadora de núcleo da Rede Ecovida e da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (AOPA), Karina David, finalizou o seminário. A economista e agricultora comentou sobre processo de certificação participativa, que prevê a criação de grupos formados por agricultores e a reunião mensal dos mesmos, chamada de Olhar Interno. Nesses encontros, os integrantes trocam experiências e produtos entre si, além de estabelecer um laço de confiança. Duas vezes ao mês, todos os grupos de Olhar Interno se reúnem para troca de informações e informes gerais, como prestação de contas, eventos e documentações.

A certificação é feita anualmente por meio do Olhar Externo, momento em que os grupos avaliam uns aos outros através de uma comissão de ética que analisa todas as etapas necessárias para o recebimento do certificado. Karina ainda ressaltou o importante papel do Paraná Mais Orgânico no processo, que auxilia em todas as fases com acompanhamentos técnicos, material de trabalho e oficinas, por exemplo.

Além disso, a palestra ainda apontou desafios enfrentados pelos profissionais,  como falta de recursos e investimento; e integração entre as regiões que não trabalham com esse tipo de certificação.

Reunião

Durante a tarde também foram realizadas reuniões entre os bolsistas do projeto e entre os coordenadores, separadamente. O objetivo foi compartilhar experiências e dificuldades encontradas no projeto para, então, buscar alternativas e melhorias a todos.  Também ocorreu encontro que reuniu mais de 40 pessoas envolvidas nos Programa Paraná Mais Orgânico e na Rede Ecovida para debater e encaminhar ações de integração entre as duas iniciativas.

Cátia Hermes, bolsista do núcleo do P+O no CPRA, afirma a importância de encontros como esse para reunir os núcleos do programa e alinhar os modos de gestão e procedimentos pertinentes ao projeto. Além disso, a zootecnista ainda ressalta a relevância das palestras oferecidas: “Foi válido para mostrar a amplitude do projeto e o quanto ainda podemos crescer”, declara.

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Equipe Paraná Mais Orgânico

Sobre o P+O

Iniciado em 2009, o Paraná Mais Orgânico é uma parceira entre a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), o Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR), as instituições estaduais de ensino superior e o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA).

O programa atua na certificação de produtores orgânicos no Paraná, contando com mais de 500 certificações já realizadas. Os objetivos são:

- Contribuir para a consolidação do estado como o de maior número de produtores orgânicos do país.

- Ofertar serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que estimulem a adoção de inovações tecnológicas baseadas na agricultura orgânica;

- Apoiar a organização dos agricultores familiares nos processos de comercialização da produção orgânica.

Para mais informações sobre como funciona o programa, entre em contato com o núcleo do CPRA: (41) 3544-8100 | certificacao.cpra@gmail.com.

 

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