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23/11/2018

Foz do Iguaçu foi palco do III Congresso Paranaense de Agroecologia

por Marina Creplive


O III Congresso Paranaense de Agroecologia finalizou a terceira edição do Paraná Agroecológico, evento que reuniu, entre os dias 05 e 09 de novembro, agricultores, técnicos e entidades da área nas dependências da Itaipu, maior usina hidroelétrica do mundo.Trazendo o tema “Tecnologias e Sistemas de Produção”, o congresso contou com painéis temáticos nas áreas animal e vegetal; e apresentação de trabalhos técnicos e relatos de experiência enviados pelos participantes do evento.

Na quinta-feira (08), o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) foi representado pela apresentação do trabalho “Projeto Produção de Base Agroecológica da Região Metropolitana de Curitiba: Panorama da Produção Animal”, escrito pelas bolsistas Damaris Cymbalista e Nicole Mulhenhoff, em conjunto com os médicos veterinários Evandro Richter e Bruna Blanco. O relato de experiência tinha como objetivo analisar e apresentar os dados referentes ao diagnóstico expedito e à análise FOFA – forças, oportunidades, fraquezas e ameaças – realizados nas propriedades de referência da área animal do projeto Produção em Base Agroecológica na Região Metropolitana de Curitiba (PBARMC), as quais trabalham com avicultura de postura e bovinocultura de leite.

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Damaris Cymbalista (à esquerda); Evandro Richter (à direita)

Já na sexta-feira (09), o médico veterinário do Centro, Evandro Richter, participou, como um dos ministrantes, do painel “A Produção de Leite em Bases Agroecológicas”. Durante a palestra, Richter contou um pouco de sua experiência no CPRA, que tem como forma de redesenho da propriedade o Sistema Silvipastoril (SSP), que combine árvores, pastagem e gado em uma mesma área. A opção tem como prioridade o bem-estar animal, a qualidade do solo e a geração de uma fonte de renda extra para o agricultor por meio da venda das árvores.

O médico veterinário também comentou sobre a técnica do Pastoreio Racional Voisin (PRV), utilizada no Centro em conjunto com o SSP. O manejo de pastagem tem três pilares: solo, pasto e animal. Nesse contexto, o PRV defende o uso de piquetes em sistema rotacionado e a oferta de água fresca e em abundância para os animais. As excretas depositadas no local durante o período em que estão no piquete também favorecem a fertilidade do solo, um dos objetivos de todo o manejo agroecológico realizado no CPRA.

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“Para nós do CPRA a combinação entre o SSP e PRV é fundamental para otimizar os recursos que temos na propriedade. A pastagem favorece o manejo e, com o PRV, ele reativa a vida do solo, o que traz muitas vantagens a todo o processo. O SSP vem como complemento, dando todas as condições necessárias para eliminar os extremos de temperatura, tanto o frio quanto o calor, além de evitar a ação do vento – que diminui a umidade o solo – e atrair aves, controlando, assim, endoparasitas e ectoparasitas”, afirma Evandro.

Outro ponto citado foi os métodos de tratamentos alternativos. No CPRA, são utilizadas as seguintes técnicas: homeopatia para controle de enfermidades gerais, como problemas com carrapatos e mastite, além da aplicação no solo; fitoterapia como base para a questão sanitária; florais para tratamento emocional e mental dos animais, como quando ocorre a desmama; e os microrganismos eficientes (EM), que atuam tanto na decomposição mais rápida das excretas por meio da aplicação na água, quanto na melhoria dos odores, que evita a presença de moscas e melhora o ambiente.

Ainda na sexta-feira, a participação do CPRA foi finalizada com a apresentação de artigos referentes aos trabalhos da instituição:

o   “Grupos de consumo responsável – uma análise do projeto Cestas Solidárias pela visão dos consumidores”, escrito pelas bolsistas Maria Fabiana Brito, Mariana Batista e Marina Creplive, com orientação do engenheiro agrônomo Manuel Dalafoulhouze. O objetivo da pesquisa foi avaliar a compreensão e satisfação dos consumidores participantes do projeto Cestas Solidárias em Curitiba e região metropolitana.

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Maria Fabiana Brito (à esquerda); Mariana Batista (à direita)

 

o   “Projeto Produção de Base Agroecológica da Região Metropolitana de Curitiba: descrição de estabelecimentos de olericultura”, escrito também pelas bolsistas Maria Fabiana Brito, Mariana Batista e Marina Creplive, com orientação do diretor adjunto do Centro, Márcio Miranda. O trabalho teve objetivo de objetivo analisar os resultados parciais dos diagnósticos realizados nos estabelecimentos de olericultura agroecológica que fazem parte do projeto PBARMC.

o   “Bambucilga: Uma Alternativa para Criação de Suínos e a Conformidade Orgânica”, dos bolsistas Cátia Hermes, Fabiana Hoinacki, Eduardo Marone, Luã Colaço e orientação do técnico agrícola Valcir Wilhelm. O objetivo foi a construção de uma “Bambucilga” em forma de cama sobreposta como protótipo no CPRA, para posterior multiplicação da proposta nas propriedades rurais.

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Cátia Hermes (à esquerda); Estudantes da UFPR e Ivo Melão (à direita)

o   ‘“aliMENTE-Saúde”: Fomentando o Consumo Saudável, Consciente, Solidário, Sustentável e Político”, feito pelas estudantes da UFPR Adriella Camila Gabriela Fedyna da Silveira Furtado da Silva, Giovanna Collodel Peruzzo, Maria Luiza Przybysewsk, com orientação da professora Islandia Bezerra e do engenheiro agrônomo do CPRA Ivo Melão. A experiência descrita evidencia uma ação, promovida pelo projeto de extensão “aliMENTE-Se: produção e consumo consciente e solidário”, que teve o objetivo de estimular circuitos curtos de comercialização e aproximar quem produz e quem consome mediante aquisição semanal de sacolas agroecológicas.

Ao final do evento, representantes das entidades e a comissão organizadora se reuniram para a aprovação de uma carta aberta que visa apresentar ao governo do estado demandas do setor. Dentre elas, está o apoio ao programa Paraná Agroecológico, a implantação da merenda 100% orgânica no Paraná, a criação de uma lei para promoção da agroecologia, o apoio aos núcleos de agroecologia nas universidades e também a manutenção e ampliação do Paraná Mais Orgânico.

Para Márcio Miranda, diretor do CPRA, o Paraná Agroecológico é um evento essencial para a discussão e disseminação da agroecologia. “É um momento importante para reunir as iniciativas e promover as ações agroecológicas, além de mostrar a força e solidez que o setor tem”, conclui.


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