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08/05/2019

Deputado Goura convoca reunião extraordinária para debater o futuro do CPRA no projeto de fusão com outras instituições do sistema da SEAB

 por Thaiany Osório


Na última segunda-feira (29), o deputado estadual Goura convocou uma reunião extraordinária da comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais, a qual ele preside, com o objetivo de ouvir as opiniões de diversas entidades e representantes do estado sobre as intenções propostas para a possível fusão do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), em um novo órgão chamado de Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná. O objetivo do deputado Goura era aprofundar o debate sobre agroecologia e o seu espaço na nova administração do estado.

O diretor geral da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (SEAB), Rubens Niederheitmann, esclareceu que a reforma administrativa prioriza a qualificação do serviço, não apenas a redução de custos. Um dos muitos objetivos da reforma é transformar a nova instituição na melhor organização de apoio aos agricultores do Brasil. Para alcançar isso, o agrônomo vê a fusão como elemento essencial para dar ao CPRA melhores condições de trabalho como resultado da integração da pesquisa e extensão. “Queremos fortalecer o papel da instituição, principalmente no interior do estado. A Agroecologia é importante e vai ter respaldo do Secretário e do Governo do Estado, dentro daquilo que podemos fazer.” disse o diretor, em citação durante seu discurso na reunião.  

Natalino Avance de Souza, presidente do Instituto Emater, apresentou, de maneira breve, as primeiras diretrizes do novo modelo administrativo, explicando que a preocupação do Estado é “entregar serviços mais ágeis e de melhor qualidade”. Ressalta ainda que a assistência técnica precisa estar melhor distribuída no estado. Já Niederheitmann acredita o Estado também deve atuar com maior foco nas agriculturas familiares, que representam cerca de 80% dos estabelecimentos agrícolas no Paraná e carecem da ajuda do Estado. 

 


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 Da esquerda para a direita, professora Islandia Bezerra da Costa, Ivo Melão, e a representante da Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia (Aopa), Karina David. Créditos: Orue Brasileiro.

Representando a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), a professora do Departamento de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Islandia Bezerra da Costa, ratificou, em sua fala, o papel do CPRA como um laboratório vivo, relevante não apenas para o Brasil, mas também para a América Latina. O Paraná é o único estado brasileiro a possuir em sua estrutura pública um centro de referência agroecológico independente, focado em produzir e compartilhar conhecimento em agroecologia. “Quando falamos em um projeto de fusão, me parece que o papel do CPRA como produtor de conhecimento e tecnologia aplicada à agroecologia está sendo rebaixado a um quadro de negligência”, expôs a nutricionista, durante discurso realizado na reunião. 

Além disso, segundo o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), divulgado em 2019, o Estado do Paraná concentra o maior número de agricultoras e agricultores certificados com produção orgânica. Nesse contexto, a professora Islandia ainda destacou que o Estado do Paraná deve incorporar uma política pública que reconheça a agroecologia como ponto de partida e não um tema transversal, se valendo de exemplos bem sucedidos e estratégicos, como é o caso do CPRA.

Para Ivo Melão, coordenador da área de socioeconomia do CPRA, que também participou da reunião, o caminho do Estado em direção à agricultura sustentável de base ecológica é de suma importância e o CPRA deve ser protagonista nesse processo. “O Estado pode ser inovador em suas ações de políticas públicas agrícolas, através da Agroecologia e do fortalecimento do CPRA. Penso que a reunião de ontem foi uma pequena amostra do que é possível fazer em agroecologia no nosso estado”, finaliza Melão, em entrevista realizada após a reunião. 

A reunião reuniu cerca de 90 pessoas, número considerável para uma sessão extraordinária. Quanto aos próximos passos, Goura é objetivo: “devemos aguardar o projeto de lei e as audiências públicas, para que haja o debate”. O deputado também ressalta a importância do diálogo com os servidores, visto que políticas públicas só funcionam mediante participação popular, controle social e transparência. 

 


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