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22/05/2019

Projeto Cestas Solidárias forma mais um grupo; iniciativa já conta com mais de 50 grupos em Curitiba e região metropolitana

por Thaiany Osório
Um novo grupo de Cestas Solidárias recebeu a sua primeira sacola na semana passada! Os agricultores responsáveis pela produção e entrega são Augusto, Jandira e David Jacomite, donos do Sítio Tia Janda, que fica em Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. Com cerca de vinte consumidores, o grupo tem como ponto de encontro a escola Terra Firme, no bairro Hugo Lange. 

O projeto ajudou a diversificar a propriedade, que há um tempo vinha focando na agroindústria, com o comércio de pães, geleias e bolachas. Augusto acredita que as cestas são importantes porque, graças ao pagamento antecipado, garantem uma renda fixa e possibilitam um melhor planejamento da sua produção. 

#PraCegoVer: Na foto, agricultor Augusto Jacomite segurando um maço de beterraba e uma cabeça de brócolis.
As cestas variam de 15R$ a 30R$, dependendo do número de alimentos e do acordo firmado entre consumidores e o agricultor. No caso da cesta da Jandira, o valor fixo é de R$ 25. Na cesta entregue, havia beterraba, brócolis, cebolinha, banana, alface frisée, alface crespa e alface lisa. Na foto, Augusto Jacomite. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)

Dentre os consumidores do novo grupo, a maioria são professores, alunos e pais da escola. É o caso do designer e professor da Universidade Tuiuti do Paraná, Nelson Smythe, que consome orgânicos há mais de vinte anos. Além da saúde, ele considera o incentivo ao segmento importante devido à questão política do agronegócio, que, para o professor, aprisiona o consumidor nas mãos de grandes empresas. “Claro que o agricultor também precisa de lucro, mas eu quero comprar de quem consome o que produz.”, explica ele.

#PraCegoVer: Na foto, Ivo Melão, coordenador da área de socioeconomia do CPRA, Jandira e Augusto Jacomite, e Luciano de Almeida. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)
As entregas são feitas na terça-feira, das 12h30 às 13h30, nos arredores da escola Terra Firme, no bairro Hugo Lange. Na foto, Ivo Melão, coordenador da área de socioeconomia do CPRA, Jandira e Augusto Jacomite, e Luciano de Almeida. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)

Nelson, que até então comprava somente em feiras de produtos orgânicos, vê nas cestas solidárias uma forma de facilitar a aquisição desses itens. É o mesmo caso da professora da escola Terra Firme, Cristina Paris, que costumava ter horta orgânica na sua antiga residência. Após se mudar, perdeu essa ligação com a terra e passou a comprar em feiras. Também motivada pela saúde, Cristina percebeu um aumento de produtos industrializados na sua casa e um declínio do consumo de frutas e saladas. “A saúde começou a me preocupar e agora eu quero, pelo menos de noite, ter esse momento em família para a alimentação mais saudável”, conta ela. 

Sobre o projeto 

Hoje, o projeto Cestas Solidárias possui cerca de 50 grupos, tendo em média 20 consumidores cada. Ao todo, são mais de 1000 cestas comercializadas. Segundo Mariana Kugler, agrônoma do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) e parte da equipe responsável pelo projeto, a formação de grupos se dá de maneira autônoma e, geralmente, parte de demandas dos próprios consumidores. “Nosso papel, enquanto instituição, é auxiliar na articulação dos grupos com os agricultores”, explica ela. 

A agrônoma também relembra o poder socioeconômico do projeto que contribui, e muito, para diminuir as taxas de êxodo rural, que nas últimas décadas vêm apresentando números alarmantes. O mesmo é observado por Jandira, que vê jovens, por falta de opção, deixar o campo para conseguir emprego na cidade. Cita como exemplo a própria família, que não tem a intenção de deixar a área rural, mas que depende das vendas para se manter nela. “Eu mesma, gosto do campo. Cidade, só para passear”, conta ela, rindo. 

Ao mesmo tempo que o projeto ajuda a fixar os jovens no meio rural, também é um potente meio de democratizar os alimentos orgânicos. Entretanto, alguns bairros de Curitiba ainda carecem de grupos de consumo, principalmente os da região sul da cidade, como Pinheirinho, Boqueirão e Hauer. “É importante ressaltar a missão do projeto, que tem como objetivo levar o orgânico para o máximo de pessoas.”, ressalta Mariana.

Para saber mais sobre o projeto ou sobre os passos para criar um grupo, clique nesse link. Caso seja um consumidor, acesse o mapa interativo para descobrir se já existe algum grupo de Cestas Solidárias próximo a sua casa ou local de trabalho. Caso não encontre, reúna seus amigos, colegas, vizinhos ou familiares e entre em contato conosco!

Contato
Centro Paranaense de Referência em Agroecologia
Ivo Melão | Mariana Kugler
projeto.cestassolidarias@gmail.com
3544-8127 ou 3544-8136



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