Notícias

31/05/2019

Instalação Artística e Pedagógica Itinerante marca presença no prédio de Engenharia Florestal e Madeireira da UFPR

por Thaiany Osório

Na última terça-feira (28), o prédio das Ciências Florestais e da Madeira da Universidade Federal do Paraná (UFPR) abrigou a Instalação Artística e Pedagógica Itinerante, trazendo o tema "agroecologia, gênero e geração". O evento teve a participação do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) que, representado por técnicos da instituição, desenvolveu atividades para socializar as diversas narrativas e manifestações artísticas referentes ao tema da instalação, além de divulgar os trabalhos realizados nas áreas de atuação do Centro.

A proposta surgiu devido à necessidade de disseminar o debate da agroecologia como modo de produção e consumo de alimentos, visando, assim, a promoção da reflexão e a mudança do relacionamento entre a sociedade e a natureza. Durante o evento, o CPRA contribuiu com uma exposição de abelhas, um minhocário, diversas espécies de plantas medicinais, além de maquetes de estufa e um galinheiro móvel, ambos feitos com bambu. 


#PraCegoVer: Uma barraca de feira em bambu ao fundo, feita pela equipe técnica do CPRA. Mais à frente, da esquerda para a direita, a caixa com o minhocário, a jardineira de plantas medicinais, e a caixa das abelhas nativas.
Na foto, uma barraca de feira em bambu ao fundo, feita pela equipe técnica do CPRA. Mais à frente, da esquerda para a direita, a caixa branca com o minhocário, a jardineira de plantas medicinais, e a caixa das abelhas nativas. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)

As instalações artísticas e pedagógicas fazem parte do projeto de extensão chamado “aliMENTE-SE: produção e consumo solidário consciente”, realizado pelo curso de Nutrição da UFPR, com parceria do CPRA e da Coordenadoria de Equidade, Família e Rede de Proteção (CEFAR) da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba. Dentre as organizadoras, estão a professora Rosemeire Gaspar, do curso de engenharia florestal, a professora Islandia Bezerra, docente do curso de nutrição, e a Mestre em Artes Visuais da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Débora Santiago.

Para Islandia Bezerra, a presença do Centro é importante como um meio de se observar na prática a atuação da agroecologia no estado do Paraná. Mariana Kugler, engenheira agrônoma do Centro, acredita que a atuação do CPRA em ambientes universitários é importante porque é uma forma de disseminar os princípios agroecológicos aos alunos, agregando esse conhecimento nas suas formações profissionais. “Além disso, é importante que a comunidade acadêmica saiba que a agroecologia permeia todas as relações humanas”, finaliza ela.

#PraCegoVer: foto aproximada do momento em o pincel encosta no pote de água.
 No período da tarde, o grupo se reuniu para uma atividade lúdica com tintas naturais, feitas com beterraba, cenoura, espinafre, entre outros vegetais e verduras. A oficina foi mediada pela professora Débora Santiago, docente na UNESPAR. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)

Gênero, geração e educação


O evento contou também com a participação de coordenadoras e professoras da Secretaria Municipal da Educação de Curitiba, que ajudaram a estreitar os laços entre a agroecologia e a educação. Hoje, a secretaria é responsável pela formação de professores nas unidades a partir de comissões de direitos humanos e representatividade. 

Luizene Coimbra Wizenberg, professora e agente da secretaria há 8 anos na divisão de direitos humanos, observa semelhanças nas convicções agroecológicos e nos princípios defendidos nas diretrizes nacionais de educação. “Também defendemos a sustentabilidade, dignidade humana, diversidade, equidade e igualdade direitos, e é nessa perspectiva que a gente se alinha aos princípios agroecológicos”, conclui ela.

Segundo a professora Islandia, temas como esses precisam ser trabalhados nas escolas, mas muitas vezes é difícil saber qual é a melhor abordagem de ensino, principalmente com os mais jovens. Professora há mais de quinze anos, ela vem percebendo um aumento da consciência socioambiental dos alunos. Entretanto, muitas vezes eles desconhecem como fortalecer ou desenvolver essas experiências. “São várias juventudes nesse Brasil, e no meio rural e urbano elas se distinguem. Precisamos comunicar para todas essas juventudes”, expõe ela.

#PraCegoVer: ouvintes sentados em roda durante a conversa sobre gênero, geração e educação.
Roda de conversa para o debate sobre gênero e agroecologia. (Foto: Thiago Maceno/CPRA.)

Nesse cenário, as universidades têm muito o que oferecer por representarem um espaço de circulação e troca de saberes. A escolha do prédio de engenharia florestal e madeireira se tornou um ambiente propício para o debate de gênero na agroecologia, visto a falta de disciplinas e atividades voltadas para essa questão e o histórico majoritariamente masculino do curso. Por isso, é importante debater o protagonismo das mulheres na agricultura e, principalmente, na agroecologia, visto seu papel na produção de alimentos, na recuperação de espécies, na reprodução de sementes, etc. “Debatemos gênero por questões que parecem óbvias, mas que na verdade não são. As mulheres têm um papel fundamental quando falamos de agroecologia, mas isso não é visibilizado”, lamenta ela.

Islandia, que participou do início ao término do evento, observou interesse e curiosidade por parte das pessoas que passavam pela instalação. “Acho que despertou algo, as pessoas foram tocadas. Por isso, atingimos nosso objetivo.”, conclui. Para o futuro, pretende-se levar a instalação para outros campus da universidade, como a reitoria, o politécnico, e o setor de agrárias.



Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.