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13/08/2019

“Eu gosto de cuidar dos animais e de ver a planta crescer” | Perfil de Zenóbia Diadio e Valdevino Lorenzi

Thaiany Osório 


Zenóbia Diadio e Valdevino Lorenzi são agricultores. É assim que eles se descrevem, se reconhecem e esperam ser reconhecidos. Uma breve olhada no dicionário revela seu significado: quem se dedica à lavoura, à agricultura ou trabalha no cultivo da terra. A descrição, no entanto, deixa de fora a vivência que só é amplamente compreendida por quem também é agricultor. No caso de Zenóbia e Valdevino, eles também são agricultores orgânicos, e nem vale a pena checar o Aurélio para entender sua definição. Deixo a missão para o casal: “é o nosso mercado de trabalho e em troca temos o benefício da saúde que a natureza oferece.”

Natural de Francisco Beltrão(PR), Valdevino cresceu com 12 irmãos e manejar a terra é algo que remete ao seu passado. A propriedade em que vivem, uma chácara de cinco hectares em Mandirituba, foi adquirida por ele em meados de 1990, em seu primeiro casamento. Por um tempo trabalhou em uma empresa madeireira e, em 2004, conheceu Zenóbia. Doze anos depois eles se mudaram para o sítio e começaram a plantar orgânicos.

Já Zenóbia nasceu e cresceu em Mandirituba mesmo, ao lado de quatro irmãos e uma irmã, também na roça. Sempre trabalhou com agricultura convencional, até se mudar para o sítio com Valdevino. Desafiador para alguns, Zenóbia conta que a mudança se deu de forma tranquila, quase natural. Nesse ponto, o casal agradece a ajuda técnica do CPRA no processo de certificação, realizado em junho de 2017. Para o futuro, pretendem modernizar a propriedade, construir uma cozinha industrial e dar continuidade a agroindústria. Assim, esperam conseguir fazer o aproveitamento de tudo o que plantam na fazenda, aplicando o princípio de que na natureza tudo se aproveita, e tudo se transforma.

Quanto ao alimento orgânico, Valdevino o enxerga como um produto do dia a dia que alimenta e conforta, visto que é mais saudável. Também é a forma como ganham a vida, principalmente depois que se integraram ao projeto Cestas Solidárias, uma iniciativa de circuito curto que visa aproximar o consumidor do agricultor. Zenóbia e Valdevino entregam 36 cestas no câmpus Botânico, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e a maior surpresa dessa experiência foi a boa aceitação por parte dos consumidores. O relacionamento é tão bom que, em uma ocasião, os consumidores até visitaram o sítio.   

O convite para participar como expositores de alimentos na Festa Regional das Sementes Crioulas partiu da Engenheira Agrônoma do CPRA, Mariana Kugler, que acompanha a propriedade há mais de seis meses e conhecia a tradição culinária da família. Valdevino, que gosta muito de massas e de cozinhar, adorou a ideia e tratou de incentivar a companheira para que eles aceitassem o desafio. Acostumados com comida “de verdade”, como carne, arroz, feijão e uma salada bem farta, decidiram que serviriam dois pratos durante o evento. O primeiro são seis unidades de Pierogi com recheio de batata e ricota, acompanhado de nata ou molho de frango. O segundo são três unidades de charuto de repolho com recheio de arroz e trigo morrisco, acompanhado de molho de tomate ou frango. O Pierogi, inclusive, é uma receita ucraniana tradicional da família da Zenóbia. 

O maior orgulho do casal é permanecer na tranquilidade, cuidando da natureza. Zenóbia, amante de flores, possui vários vasos no corredor da sua casa, dentre orquídeas e suculentas. Valdevino tem prazer em ser ágil, produzindo, colhendo e fazendo comida. “Eu gosto de cuidar dos animais e de ver a planta crescer”, conta ele. No tempo livre gostam de passear, participar das festas da comunidade, ou servir almoços para os amigos e vizinhos. Gostam de ligar a TV e assistir programas relacionados à agricultura, ou de sintonizar nos canais que transmitem a Missa. “Vivemos a vida”, finalizam de maneira sucinta e rica, de uma forma que o Aurélio jamais conseguiria descrever.

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