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13/09/2019

Cestas solidárias: uma prática escolar de consumo sustentável

Por Thaiany Osório


Um novo grupo de Cestas Solidárias completou o seu primeiro mês de entrega hoje, dia 13 de setembro. Os agricultores responsáveis pela produção e entrega são Isabelle Lecheta e Felipe Kuhn, donos da chácara Eldorado Sintropia, que fica em Tijucas do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. O grupo, que faz a entrega no Colégio Suíço-Brasileiro, no município de Pinhais, é formado por cerca de 60 consumidores. Desde o início do projeto cestas solidárias – há três anos – esse é o grupo com maior número de consumidores que o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) acompanha. 
 
Foi graças à iniciativa da Lídia Calderon que o grupo nasceu. Apesar de ser produtora de pães orgânicos, Lídia sempre encontrou dificuldades para adquirir frutas, vegetais e legumes orgânicos. “No mercado era sempre muito caro, e eu não queria só me alimentar com o pão orgânico, queria ter uma alimentação mais completa”. Mãe de duas garotas, conheceu o projeto Cestas Solidárias no Escola Terra Firme, local em que as filhas estudavam*. Quando decidiu trazer as meninas para estudar no Colégio Suíço-Brasileiro, viu uma oportunidade de fundar um novo grupo ali. 
 
Seu primeiro passo foi enviar um e-mail para a coordenação do novo Colégio das filhas, sugerindo que ela fosse um ponto de encontro entre consumidores e produtores. “E eu não podia estar mais surpresa com a recepção positiva do colégio”, explica Lídia, que em pouco tempo viu o colégio se mobilizando para marcar as primeiras reuniões entre o CPRA, a coordenação e o os agricultores. Em seguida um e-mail foi enviado para todos os funcionários e pais avisando que o colégio seria um ponto de entrega semanal de cestas orgânicas. A surpresa veio em números recordes: o grupo do whats foi formado com 60 consumidores.

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Da esquerda para a direita, Felipe Kuhnm, Lidia Calderon e Isabelle Lecheta. (Foto: Thiago Maceno/CPRA)
 
“Esperávamos um grande número, porque sabíamos que o Suíço já tinha uma consciência ambiental. – Relembra Felipe, agricultor responsável pela produção dos alimentos. – Mas não imaginávamos que seriam tantos”. Ele e Isabelle, produtores orgânicos há três anos, começaram vendendo o que produziam no mercado municipal, onde se depararam com algumas das situações mais lamentadas pelos agricultores que comercializam para grandes redes de alimentos: a desvalorização do seu produto diante do preço final e a exigência por alimentos fisicamente “perfeitos”, que muitas vezes não condizem com a lógica do plantio. 

Além do grupo no Suíço-Brasileiro, Isabelle e Felipe também entregam cerca de 30 cestas na Editora Positivo, grupo criado há um ano. Quando a proposta surgiu, eles deixaram de comercializar no mercado municipal. Desde então, 90% da produção da propriedade é destinada ao projeto, e praticamente toda a renda familiar vem dele. “Tudo mudou quando começamos com as cestas, inclusive nosso controle interno. Hoje temos um melhor planejamento para o plantio.”, explica Isabelle. 

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Por cesta, Felipe e Isabelle costumam variar de sete a nove produtos. Na ocasião da primeira entrega, a cesta continha oito produtos, entre eles: limão rosa, couve, salsinha, mandioca, açafrão da terra, cenoura, banana e abóbora de pescoço. (Foto: Thiago Maceno/CPRA)
 
Por estarem em uma propriedade com sistema agroflorestal, o casal cultiva mais de 30 produtos diferentes, garantindo assim a manutenção da biodiversidade e a variedade dos produtos nas cestas.  “É bastante responsabilidade, mas também somos valorizados por esse trabalho.”, conta ela. Nesse aspecto, a garantia financeira de que seus alimentos serão vendidos por um preço justo ajuda a investir na propriedade, buscando sempre mais qualidade e variedade. Para Ivo Melão, coordenador do projeto e da área de socioeconomia do CPRA, os números expressivos de grupos de consumidores que aderem formas mais sustentáveis de alimentação revelam que o projeto está instigando a busca por um consumo mais consciente e, por conseguinte, mais responsável.  

A educação como aliada

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(Foto: Thiago Maceno/CPRA)

Atrelado aos princípios básicos do projeto Cestas Solidárias, como garantir uma alimentação fresca, saudável e diversificada por preços acessíveis, ele também tem como objetivo possibilitar a troca de aprendizados e conhecimentos entre todos os envolvidos. Esse caráter educacional é potencializado quando o local de encontro entre os consumidores e produtores abraça o projeto, dando o suporte necessário para a sua manutenção. Esse é o caso da escola Suíço-Brasileiro, que viu nas cestas uma familiaridade com as suas diretrizes de ensino. 
 
Há pelo menos dez anos que a escola possui projetos que envolvem a sustentabilidade. Foi um professor de ciência que se atentou para o desperdício da água e sugeriu que a escola repensasse o destino do lixo. Uma comissão de sustentabilidade foi criada e, com o decorrer dos anos, se percebeu que havia outras formas de contribuir com o ambiente. Hoje a escola possui uma horta, recicla óleo e tem um sistema de compostagem. Com a reciclagem de papel e lápis, os alunos compram livros para a biblioteca. 
 
Carlos Machado, coordenador do Ensino Médio, explica que, apesar da iniciativa das Cestas Solidárias não ter partido diretamente da escola, indiretamente essa ação revela que a comunidade escolar vem repensando seus atos e buscando uma forma de ter mais saúde e qualidade de vida. “Se a Lídia veio com essa ideia, isso significa que de alguma forma uma mãe associou essa boa ideia com o que fazemos aqui. – explica ele. – E se temos pais envolvidos nos projetos da escola, principalmente de pensamento, então temos a sustentabilidade que pregamos”. Carlos também vê nas cestas solidárias um sinal que o ensino sobre sustentabilidade está ultrapassando as barreiras do colégio e atingindo famílias e comunidades. 


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(Foto: Thiago Maceno/CPRA)


 


Para saber mais sobre o Projeto Cestas Solidárias, acesse: Alimento saudável, ecológico, local e orgânico: conheça o projeto Cestas Solidárias


 


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