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16/12/2019

Projeto PBARMC promove 3° Seminário com ações e resultados

Por Thaiany Osório


O Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA) promoveu, no dia 06 de dezembro, o 3° Seminário do Projeto “Produção em Base Agroecológica na Região Metropolitana de Curitiba (PBARMC)”. Em andamento desde novembro de 2016, o encontro teve como objetivo trazer as novas perspectivas acerca da produção agroecológica e orgânica na região. O projeto conta com recursos do Fundo Paraná administrado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). 

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Solange Maria da Rosa Coelho e Marcio Miranda durante a cerimônia de abertura. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)

Ao longo de 2019, os bolsistas e técnicos do CPRA/Emater acompanharam uma rede de 24 propriedades de referência em olericultura, avicultura colonial de postura e produção de leite. Os resultados desse acompanhamento foram apresentados em quatro painéis respectivamente: Recursos Naturais, Sementes e Mudas, Produção de Ovos Agroecológicos e Comercialização e Geração de Renda. 

O primeiro painel, apresentado pelos bolsistas e agrônomos José Venicius Andrade e Manoela Moreira Miró, destacou a importância da preservação dos recursos naturais de forma integrada dentro dos agroecossistemas. A apresentação enfatizou a necessidade de se manejar o solo de maneira conservacionista. “Percebemos que os agricultores têm dificuldade em manejar o solo de maneira sustentável - explica Manoela. - É preciso melhorar essa prática, porque é uma forma de garantir a sustentabilidade do sistema ao longo prazo”. Além disso, foram apresentados dados referentes ao uso da água na propriedade, o percentual das áreas com vegetação nativa e a exploração da reserva legal. 

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Manoela Moreira Miró, uma das responsáveis pelo painel sobre conservação dos recursos naturais. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)
A discussão seguinte foi sucedida pela bolsista e agrônoma Mariana Kugler, responsável por apresentar o painel sobre sementes e mudas. De maneira mais informal, a discussão fez um apelo à necessidade dos agricultores se organizarem em torno da questão das mudas e sementes.  “Eu vejo que a maioria dos agricultores não conseguem acessar mudas e sementes orgânicas, e isso nos preocupa muito porque gera um gargalo na produção orgânica e agroecológica na região”, expõe Mariana.  

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Mariana Kugler, responsável pelo painel sobre sementes e mudas. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)


Após o intervalo, o terceiro painel, de Ovos Agroecológicos, foi exibido pela veterinária Cristina Sakamoto Iwamoto. O painel trouxe informações sobre todos os tipos de produção de ovos, como o orgânico, caipira, colonial e capoeira. Também expôs a questão da informalidade da produção e a necessidade de se produzir de maneira sustentável e agroecológica. Cristina enfatizou que os agricultores devem se unir e se fortalecer devido ao decreto que institui a alimentação escolar orgânica em todo o sistema estadual de ensino do Paraná. “A organização é necessária para que haja uma competição mais justa no futuro. Sem ela, o pequeno agricultor não terá meios de competir com as grandes empresas”, conclui. 

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Cristina Sakamoto, durante a apresentação do painel "Ovos Agroecológicos". (Créditos: Thaiany Osório/CPRA.)

Por fim, o último painel foi apresentado pelo agroecólogo Juan Araújo e os agrônomos José Venicius Andrade e Manoela Moreira Miró. Neste painel, foram explorados os dados econômicos coletados nos três anos de projeto e as vantagens e desvantagens de cada canal de comercialização. Concluiu-se, então, a importância da família possuir mais de um canal de comercialização. “Possuir apenas um canal torna o agricultor extremamente vulnerável às dificuldades daquele canal. Tais dificuldades podem afetar negativamente a geração de renda da família”, explica José Venicius.  

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Da esquerda para a direita, José Venicius e Juan Araújo durante o último painel.  (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)

Ao fim das apresentações, os bolsistas homenagearam os agricultores com certificados de participação do projeto. Estiveram presentes agricultores participantes do projeto e técnicos de instituições parceiras, como o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), o Instituto Federal do Paraná campus Campo Magro (IFPR), a Secretaria Municipal do Abastecimento de Curitiba (SMAB) e a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI). 

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Da esquerda para a direita, João Tanto, Cristina Sakamoto, Sandra Benites, Manoela Moreira Miró e Otacílio Benites. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)

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Ivo Melão, Valdevino Lorenzi, Zenóbia Diadio, Mariana Kugler, Belmira Guimarães, Manoela Moreira Miró e Marcelo Guimarães.  (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)

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Da esquerda para a direita, Mariana Kugler, Antonio do Rosário, Manoela Moreira Miró, Rosemeri Soares e Cleber Soares. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)

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Cristina Sakamoto, Eliane de Araújo Lima e Fernando Peressutti. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)


2020: novos horizontes 


Já se encontra na SETI uma proposta de projeto que prevê a contratação de bolsistas para atuarem no projeto Cestas Solidárias e na continuação dos acompanhamentos às propriedades da região Metropolitana de Curitiba. Tal acompanhamento ocorre desde 2016, com a primeira fase do Projeto PBARMC. A expectativa é ter implantado o novo projeto a partir de fevereiro de 2020. 

Para o agrônomo e analista de projetos da SETI, Carlos Henrique Boscardin Nauick, os trabalhos realizados no CPRA são notórios, em especial o Cesta Solidária e o Paraná+ Orgânico. “São projetos que contribuem muito para as comunidades e para grupos de agricultores. Eu acredito que uma das maiores dificuldades para a agricultura familiar é a logística e os canais de comercialização, e eu vejo o CPRA atuando nisso”, afirma ele.


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Da esquerda para a direita, Carlos Henrique Boscardin Nauick e Marcio Miranda, durante a entrega do novo Projeto à SETI. (Créditos: Thaiany Osório/CPRA)



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